Como Avaliar uma Ideia

As ideias podem surgir a qualquer altura e em qualquer lugar, quando menos espera ou quando tira parte do seu tempo para reflectir sobre as necessidades de todo o mundo. O problema das ideias é que nem todas são boas, mesmo que o pareçam à primeira vista e o deixam completamente entusiasmado pela luz que se fez na sua cabeça. Por essa razão todas as ideias devem passar por um processo de reflexão e de brainstorming para atestar o quão boas são.

Não lhe estou a dizer para descartar o que lhe vier à cabeça; estou-lhe a dizer que qualquer coisa que lhe venha à cabeça precisa de ser trabalhada e estudada para concluir se realmente vale a pena passar à acção. Na verdade, atestar o valor de um ideia já é um passo reaccionário, já exige esforço e, como tal, já é (re)acção. Mesmo que conclua que não foi a melhor das ideias, pelo menos ganhou experiência sobre o processo de atestar a sua qualidade.

O futuro de uma ideia depende essencialmente de quatro tópicos: Valor, Mercado, Aceitação e Derivados. Estes vários tópicos servem não só para qualificar como também para atestar os factores externos ao conteúdo da ideia em si.

1. Valor

O valor é essencialmente o conteúdo, a massa, o conceito da ideia. Neste tópico pede-se que avalie a inovação que a sua ideia oferece, o quê que ela traz de novo ao que já existe (se for algo que não existe, pense de forma abstracta neste ponto e poderá passar mais rápido para o tópico 2).

Por vezes temos ideias que inicialmente nos fazem todo o sentido, mas quando começamos a pensar na sua forma existencial, no resultado da sua realização, damo-nos conta que afinal não iria trazer nada de novo. Já inventaram a cadeira, será que reinventar a cadeira com três pernas é uma ideia com valor? O conteúdo da ideia tem que lhe parecer sensato, tem que fazer sentido.

Este tópico é a pista de lançamento para os seguintes, uma vez que o valor pode não estar completamente visível inicialmente. Há ideias que em termos de idealização parecem inocentes e sem significado, mas que quando passar pelos três tópicos seguintes ganham força. O que é necessário é que de alguma forma encontre inovação na sua ideia, encontre alguma forma de inovar com ela e que ela junte algo de novo ao que já existe ou que seja algo de novo, qualquer coisa que ainda não exista. Não tem que ser um resultado físico, pode ser um conceito, um serviço.

2. Mercado

O mercado consiste no sector de mercado em que a sua ideia de encaixa. É um mercado muito restrito e onde terá competição de alto nível? É um mercado pouco explorado, que ainda não atingiu o seu auge e está à espera de criativos para o desenvolver?

Responder a estas perguntas torna-se importante para definir o seu público alvo. Existem vários aspectos a ter em conta neste tópico. Num dos trabalhos de Faculdade que realizei, surgiu uma ideia que visava colmatar um problema de pessoas com características físicas especiais, mais concretamente invisuais, e chegou-se à conclusão que o dispositivo pensado também seria útil para pessoas sem esse problema. Melhor ainda, verificou-se que, pelo menos pela pesquisa realizada, ainda não existia qualquer patente relativa a uma tecnologia do género.

O ponto de vista onde quero chegar é que apenas foi possível chegar a estas conclusões depois de atestar junto dos invisuais se a passagem da ideia para a tecnologia física lhes seria benéfica. Realizaram-se entrevistas, inquéritos e uma inquirição contextual. A reacção deles foi “isso seria excelente para mim”. Pensou-se mais um pouco e verificou-se que, pelo menos um nicho de mercado estaria possivelmente garantido, mas será que apenas resolvemos um problema para este nicho? A resposta a esta questão encontra-se no tópico derivados.

A conclusão é que afinal a ideia seria útil para muitas mais pessoas além dos invisuais. Isso só foi possível de concluir depois de fazer um estudo de mercado, depois de estar perto do público a quem a ideia se destina. A verdade é que é um mercado pouco explorado, que não atingiu o seu auge e espera por criativos para o desenvolver. Como se chegou a esta conclusão?O público a quem a ideia se destina participou na avaliação da ideia.

3. Aceitação

A aceitação está, também ela, directamente ligada ao tópico Derivados. A sua ideia pode, de facto, resolver um problema. Mas será que resolve um problema suficientemente importante para que tenha adesão? Resolve um conjunto de problemas? Resolve um problema comum a muita gente?

Antes de mais, ideias que permitam uma expansão por todo o mundo são as que têm mais potencial. Por essa razão é que a Internet veio revolucionar por completo a forma como fazemos negócio, porque através dela o nosso produto ou serviço poderá chegar a qualquer parte do mundo. Isto leva-nos a uma maior probabilidade de aceitação.

A questão é que nem todos os modelos de negócio têm no seu core o mundo online. O quê que uma padaria de Odivelas vai vender online? Qualquer produto que esta tentasse vender online, muito possivelmente será abafado por uma das milhares de padarias de Lisboa. Porquê? Porque a aceitação desse serviço seria praticamente nula.

Primeiro porque não resolve nenhum problema. Segundo, parece óbvio que comprar pão online não é o que mais lhe apeteça fazer. Mesmo que tentasse derivar qualquer um dos seus serviços ou produtos, o melhor que conseguiria seria encomendas de pão online. E depois? A pessoa vai levantar o pão à padarias? A padaria vai levar o pão a casa? A deslocação iria ficar mais cara que o pão. E se o cliente tem que ir buscar o pão à padaria, então não lhe traz vantagem encomendá-lo online. Não querendo entrar na concorrência dos supermercados, etc. Avalie a aceitação do seu produto ou serviço. Mais uma vez, procure reacções no seu público alvo, saia à rua ou contacte com estes de qualquer forma.

4. Derivados

Os derivados são todos os aperfeiçoamentos que poderá fazer à sua ideia que poderão, pelo caminho, gerar ideias derivadas da original. Imagine um corta-unhas. Acredito que inicialmente um corta-unhas era somente aquela ponta cortante que serve para aparar as unhas, e que inicialmente não tinha aqueles apetrechos todos que os corta-unhas produzidos nos últimos anos têm (os mais comuns têm ainda um canivete e uma lima). Isto é o que eu chamo de um derivado.

Se pensar a fundo sobre a sua ideia poderá encontrar derivados da mesma, até mesmo variações que resolvem um tipo de problema e a ideia original resolve outro tipo de problema. A verdade é que quantos mais derivados encontrar, melhor! Por um lado ganha mais motivação porque não tem uma única fonte de esperança, por outro porque começa a pensar não em resolver um problema, mas sim em resolver dois ou três, que por consequência lhe trará maior fonte de lucro.

2 comments

  1. Manoel Martins

    EXCELENTE ! OBRIGADO POR CONTRIBUIR PARA O DESENVOLVIMENTO DOS NOSSO JOVENS ! CONTINUE O BOM TRABALHO E COLABORAÇÃO !

  2. De nada caro Manoel.

    Desde já informarmos que a partir de dia 10 passaremos a ter um novo espaço totalmente remodelado a pensar no leitor. Fique atento ao blog.

    Cumprimentos,
    Hugo Sousa

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