O que deve estar (ou não) num plano de negócios

O plano de negócios tradicional contém a informação formal e profundamente racional que uma pessoa que está a começar a sua empresa pensa ser importante… e não é que ela não seja importante, mas o facto de não ter “alma” faz com que se torne num documento que está destinado a ficar encerrado numa gaveta e muitos dos planos nele descritos nunca chegam a passar à realidade.

Existem vários livros que  lhe podem explicar como deve ser efectuado e o que deve conter um plano de negócios e o objectivo deste texto não é explicar até à exaustão este tema, mas sim indicar alguns pontos importantes na construção de um plano de negócios que se pretende que seja usado e actualizado ao longo da vida da empresa.

1- A visão
Numa frase simples descreva qual é o valor que o seu negócio vai trazer às pessoas. Esta frase há-de reflectir a sua paixão e a motivação que está na essência da ideia do negócio. Esta visão deve guiá-lo ao longo da vida da empresa e durante as definições estratégicas servirá como apoio às suas decisões.

2- Conte uma história
Os números são importantes mas a emoção é o que determina se as pessoas gostam ou não de algo. Ao contar uma história que explique as necessidades do mercado que o estão a levar a criar a sua empresa, pode conseguir que o leitor do seu plano consiga imaginar o que está na sua cabeça e sentir a paixão que você está a colocar na criação da sua empresa. Esta é a sua hipótese para inspirar os outros, portanto não use termos demasiado técnicos… quem vai ler pode não ser especialista na área de negócio em causa.

3- 90% análise da envolvente; 10% plano operacional para a empresa
Este é um problema usual dos planos de negócios… o plano de negócios pretende expor como vai concretizar e operacionalizar os diversos aspectos da empresa que vai criar, portanto este deve ser o tema central do plano. Claro que também deve conter a análise da envolvente externa, mas o foco principal deve ser a empresa.

4- Orçamento realista
Claro que os números são fundamentais. Apresente valores concretos, justificados e que façam sentido no global. Não ignore despesas, memo as que lhe parecem insignificantes. Desde as grandes despesas de produção até à despesa mais banal, (como por exemplo, seguros ou aluguer de espaço para o website da sua empresa) todas devem estar presentes com o máximo de detalhe e rigor que for possível.

5- Não se engane… você vai ter concorrência
Se você acha que não tem concorrência então, ou não investigou convenientemente, ou o negócio que tem em mente não é uma boa aposta. Analisar a concorrência não é só perceber que produtos (ou serviços) iguais aos que sua empresa vai fornecer, já existem no mercado. A concorrência são as empresas que satisfazem o mesmo tipo de necessidade que a sua empresa se propõe a satisfazer, mesmo que com produtos (ou serviços) bastante diferentes do que os que a sua empresa disponibilizará.

6- Não tente agradar a todos
Este é uma das armadilhas mais difíceis de vencer… a tentação de abranger todo o mercado e de moldar o produto (ou serviço) que a sua empresa vai disponibilizar a qualquer tipo de cliente é um problema comum. Ao ceder a esta tentação corre o risco de descaracterizar e dimuir a força potencial que o seu produto (ou serviço) pode ter. O foco está em potenciar os pontos fortes. Ao renunciar a alguns clientes ou posições de mercado o produto (ou serviço) pode tornar-se mais forte e atractivo para os mercados que realmente serão fieis e para os quais o seu produto (ou serviço) servirá “que nem uma luva” sem por em causa a sua “personalidade”.

7- Estabeleça objectivos concretos
Quando vai realizar o quê? Como vai medir a concretização? Quais são os critérios de determinação de que o objectivo foi atingido? Tal como Peter Drucker disse “If you can’t measure it, you can’t manage it.”

Resumindo, os números são fundamentais no plano de negócios, mas é a história que conta os valores, a missão, a diferença que a empresa vai fazer no mercado e o impacto que esta terá nos seus clientes que manterão o plano e negócios vivo.

Foto from portaleducacao

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About Carla Almeida

Consultora na área de tecnologias de informação focada em fornecer às empresas soluções que as possam auxiliar na resolução de problemas de negócio complexos e que as ajudem a ser mais produtivas e competitivas.

2 comments

  1. Emanuel

    Boas,

    antes tenho a dizer que gostei do post.

    Apesar da minha inexperiência na área, considero como a parte mais difícil (e fulcral) , o estabelecimento de objetivos mesuráveis. Será que podias aprofundar um pouco mais ou então deixar algumas “guidelines” acerca do assunto?

    Cumprimentos 🙂

    • Carla Almeida

      Antes de mais muito obrigada pelo comentário e por ter achado o artigo relevante.
      Para que consigamos perceber se estamos ou não no caminho certo para concretizarmos um objectivo, temos de conseguir medir a sua evolução ao longo do tempo. A definição de bons objectivos contempla vários pontos, um deles é o de serem mensuráveis, ou seja, de terem uma meta bem definida com a qual seja possível fazer comparações (o ideal é que esta meta seja um valor numérico).
      Esta é uma resposta demasiado reduzida para um tema que merece por si só, um artigo que ficará disponível nos próximos dias. Espero nesse artigo poder responder com mais detalhe à sua questão.
      Cumprimentos.

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