De Bom a Excelente #1

Depois de ter finalizado a leitura do livro “Poder” de Jeffrey Pfeffer, voltei-me para o livro “De Bom a Excelente” de Jim Collins que condensa 5 anos de estudos e investigação levados a cabo por ele próprio e a sua equipa.

Essencialmente, Jim Collins tenta traçar o caminho percorrido pelas empresas que não se contentaram em serem única e exclusivamente boas e apostaram na transição para o excelente. Por muito que possamos imaginar, a probabilidade de acertarmos nas razões do sucesso dessa transição é baixa.

O livro torna-se interessante desde início e a primeira frase é quase a morte do artista: “O bom é inimigo do óptimo”, sendo que esta é a principal razão pela qual o óptimo não é abundante.

Não temos escolas óptimas, principalmente por termos boas escolas. Não temos um governo óptimo, principalmente por termos um bom governo. Poucas pessoas vivem vidas óptimas, em grande parte por ser tão fácil instalar-se na boa vida. A grande maioria das empresas nunca chegam a óprimas precisamente por se tornarem bastante boas – e esse é o seu maior problema

O autor simplifica o padrão encontrado nas empresas estudadas, que conseguiram a transição de “Boas” para “Óptimas”, em três grandes fases: pessoas disciplinadas, pensamento disciplinado e acção disciplinada. Para cada uma destas fases existem dois conceitos fundamentais: “Liderança de nível cinco” e “Primeiro quem…depois o quê” para as pessoas disciplinadas, “Encarar a brutalidade dos factos” e “Conceito ouriço” para pensamento disciplinado e, por fim, “Cultura disciplinada” e “Aceleradores da Tecnologia” para acção disciplinada.

No primeiro artigo da série de 6 artigos (um para cada conceito fundamental) irei abordar o conceito de “Liderança de nível cinco“.

Liderança de nível cinco. Ficámos surpreendidos (na verdade chocados) ao descobrir o tipo de liderança necessário para transformar uma boa empresa numa empresa óptima. Comparados com líderes de personalidade marcante que fazem as primeiras páginas das revistas e se tornaram celebridades, os líderes bom para óptimo parecem ter vindo de outro planeta. Discretos, calados, reservados, inclusivamente tímidos – estes líderes de nível cinco são uma mistura paradoxal de humildade pessoas e vontade profissional. Estão mais próximos de Lincoln e Sócrates do que Patton ou de César.

Em cada um destes conceitos, Jim Collin dá exemplos e histórias sobre personalidades ou entidades que atingiram o óptimo quando menos se esperava. Neste primeiro conceito conta a história de Darwin E. Smith que se tornou director geral da Kimberly-Clark, que se encontrava a 36 por cento abaixo do mercado nos 20 anos anteriores à sua entrada. Smith era advogado, não tinha qualquer formação para o cargo mas assumiu o lugar e manteve-o durante duas décadas.

Consequência? A Kimberly-Clark tornou-se líder de mercado, a empresa gerou rentabilidades accionistas acumuladas 4,1 vezes superior ao marcado e bateu todos os seus rivais. Pensa que Smith era aquilo que você julga de um director? Não, Smith não tinha ares de grandeza, “passava as férias aos comandos de uma escavadora na sua quinta” e nunca cultivou o estatuto de herói ou de celebridade do mundo dos negócios.

Quando um jornalista lhe pediu que descrevesse o seu estilo de gestão, Smith, trajando fora de moda qual rapaz do campo que usasse pela primeira vez um fato comprado numa loja cara, ficou simplesmente a olhar de lado de lá das armações pretas que lhe davam um ar absorto. Depois de um longo e desconfortável silêncio, limitou-se a dizer: “Diferente.” O Wall Street Journal não escreveu um artigo lá muito apelativo sobre ele.

De uma forma resumida, os líderes de nível cinco transportam o seu ego para o objectivo de transitar do “Bom” para o “Óptimo”. Quer isto dizer que os líderes de nível cinco não têm ego e os seus próprios interesse? Não, são ambiciosos caso contrário não se sujeitariam ao que se sujeitam. A verdade é que “a sua ambição é sobretudo pela instituição, não por eles próprios.”

Esta ambição pela empresa ou pela instituição é essencialmente o que define um líder de nível cinco. Na pirâmide abaixo estão representados os cinco níveis de liderança. O que distingui o líder de nível cinco dos outros quatro patamares é que estes criam sucessões competentes, ou seja, os sucessores quando devidamente competentes apanham uma corrente que os embalam para o sucesso. Os líderes de nível cinco não são grandes líderes individualmente, são grandes líderes para a instituição deixando-a no bom caminho quando a deixam.

Curiosamente, todos os executivos de bom para óptimo “foram todos feitos do mesmo molde. Era irrelevante se a empresa trabalhava com produtos de consumo ou industriais, se estava em crise ou em velocidade cruzeiro, se vendia mercadorias ou serviços. O momento da transição era irrelevante, assim como o tamanho delas.”

Por sua vez, os líderes de nível cinco são uma combinação de humildade e vontade. São modestos e determinados, humildes e destemidos. Em suma, as duas faces da liderança de nível cinco são:

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