Lições Que Deviam Ser Ensinadas Nas Escolas (E Não São)

O sistema de ensino, quer a nível nacional quer a nível internacional, encontra-se formatado para “ensinar” aos seus alunos, através de metodologias que avançam sobre os mesmos moldes ao longo dos anos, matérias específicas para a sua futura profissão. Porém, existe uma lacuna por preencher que, a meu ver, é extremamente importante para a formação de bons profissionais e carreiras de sucesso: a postura e a parte mental “da coisa”.

O ensino manter-se intocável ao longo de várias gerações não é, por si só, vantajoso. Os tempos mudam, as abordagens aos problemas necessitam de outras perspectivas e o sucesso deixou de depender apenas da experiência e do desempenho. Assim sendo, o quê que deveria ser ensinado nas escolas? O quê que é negligenciado e até mesmo desprezado mas que todos os futuros profissionais deviam saber?

1. Ouvir a Comunicação

Comunicar não é apenas falar, gesticular ou expressar emoções. Comunicar é ouvir o que o outro tem para dizer. Uma comunicação sem um ouvinte, atento e interessado, não é uma comunicação, é um desperdício de palavras.

Muitos dos problemas existentes nas empresas actuais é a falta de bons ouvintes. Ser bom ouvinte é uma soft skill que se torna essencial para um bom trabalho em equipa. Para conseguir ser um bom ouvinte deve começar por deixar o seu ego em casa antes de ir para o trabalho, deve estar apto para, pelo menos, ponderar as ideias e a opinião dos outros e para isso tem que saber ouvir, ouvir no verdadeiro sentido da palavra. Ouvir de forma aguerrida, dar atenção ao orador, responder de forma a que este sinta que lhe está, de facto, a dar importância. Dar importância às pessoas é fundamental.

2. Aumentar a vista periférica

Quantas vezes a solução para determinado problema está mesmo à frente dos seus olhos e você não a vê? Este problema deve-se ao facto de os profissionais estarem “formatados” para seguir as boas práticas e as normas técnicas. A solução para muitos problemas passa por uma abstracção mental que permite uma fuga do caminho mais normal e mais metódico que lhe é ensinado na escola.

Esta ideia está bem expressa no livro “Primeiro, Quebre Todas as Regras” de Markus Buckingam e Curt Coffman, onde estes tentam desvendar o quê que os melhores gestores do mundo têm em comum. A conclusão a que os autores e investigadores chegaram, através de uma investigação realizada ao longo de 25 anos a mais de 80 mil gestores de 400 empresas, foi precisamente aquela que lhe estou aqui a sugerir, que crie as suas próprias metodologias e esqueça parte das que lhe ensinam na escola. Tente procurar outras ideias e opiniões, não se fique pelo seu umbigo. Ao permitir aos outros expressarem-se, indo ao encontro deles, está a aumentar a sua visão, está a permitir-se a si mesmo obter informação potencialmente interessante.

3. Quantidade não é Qualidade

O período de aulas de um curso universitário não é mais do que um conjunto de tarefas que lhe são atribuídas ao longo de um semestre. Por fim, resume quatro meses de aulas e projectos a duas horas e meia de exame onde consegue uma nota positiva e passa ou não consegue e chumba. Por vezes a forma como essas tarefas são criadas e lhe são atribuídas não é a melhor. Se num semestre você frequenta cinco disciplinas e cada uma das cinco disciplinas tem dois projectos (muitas vezes existem mais do que duas  fases de projectos em cada disciplina) e se ao mesmo tempo lhe pedem para você estar envolvido em todos os projectos, então o que lhe estão a pedir é que não aprenda muito.

A ideia que as Faculdades passam com esta metodologia é que quantidade é qualidade, ou seja, um aluno que esteja envolvido em todos os projectos que lhe são atribuídos é melhor que o aluno que está envolvido em cinco dos dez projectos que lhe são atribuídos. Esta ideia é falsa. Se entrevistarmos um aluno de cada tipo (um que está envolvido nos dez projectos e outro que está envolvido em cinco dos dez projectos) iremos constatar que o segundo mostra saber muito mais sobre as cinco frentes em que esteve envolvido do que o aluno que esteve envolvido nas dez frente sabe sobre essas mesmas dez frentes.

Esta ideia é análoga à necessidade de Foco para concluir com sucesso determinada tarefa. Quantas mais coisas você faz não implica que mais qualidade irá obter, antes pelo contrário. Está provado que um dos caminhos para atingir o sucesso é o Foco, é a sua capacidade de centrar todas as suas atenções para uma tarefa e não dispersar a sua atenção em várias tarefas.

4. O Saber não é tudo

Outra lição que devia ser ensinada nas escolas e não o é está relacionada com o saber. O saber não é tudo! Juntamente com o saber deve agregar uma postura positiva, deve ser pro activo e ter a capacidade de liderar. Para liderar não tem que ser o supra sumo em termos técnicos da sua área; tem que ter alta vocação para recursos humanos, porque consigo trabalham pessoas e não máquinas.

Muitas vezes o que o nosso ensino passa aos nossos alunos é que o seu sucesso está altamente dependente daquilo que sabem. Falso. Nem o próprio ensino tem a capacidade para dotar uma pessoa de todo o conhecimento, nem metade de todo o conhecimento, nem um terço. Quantos de vocês não se depararam com uma certa incerteza e imobilidade quando saiu da Faculdade para o seu primeiro emprego? Aquela sensação de não saber nada? Esta é a verdade! O nosso ensino fornece as bases, não fornece todo o saber, porque ele próprio sabe que o saber não é tudo. Na verdade a experiência significa saber, e para ganhar “experiência da boa”, tem que ter e exercitar características pessoais como as referidas em cima e como as referidas noutros artigos aqui publicados (por exemplo em 4 Aspectos Chave Para Tornar o Sucesso um Hábito e 4 Coisas que o Jovem Empreendedor Não se Deve Esquecer).

O nosso ensino devia ser revisto, especialmente porque deixa para trás o lado profissional e pessoal que é necessário em cada futuro trabalhador. É cada vez mais urgente dotar as empresas nacionais de boa fé, de pessoas capazes de comunicar para resolver problemas da melhor forma. É necessário começar a abater o ego que cada um de nós leva para o nosso local de trabalho. Uma empresa não é os serviços que vende, é sim as pessoas que permitem que esses serviços existam. É um conjunto de pessoas, como você, como nós!

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